Junte-se a nós para ouvir sobre a experiência de Miriam e como sua pesquisa a levou a viajar o mundo para aprender sobre as questões ambientais, climáticas e energéticas sob as perspectivas locais e nacionais, em um contexto internacional.

Sobre Miriam Aczel 

Miriam está realizando seu doutorado para melhorar as políticas globais de meio ambiente e saúde. Sua pesquisa a levou viajar por todo o mundo, sendo reconhecida como “Aluna Notável” no Imperial College London. Junte-se a nós para ouvir sobre a sua experiência de estudar no Reino Unido e inspire-se para seguir o seu próprio caminho.

Perfis da palestrante 

O que a motivou a estudar no Reino Unido?

Optei por estudar no Reino Unido devido a impressionante dedicação à excelência científica e de pesquisa, e o leque de oportunidades para a colaboração internacional. O Reino Unido atrai uma população estudantil diversificada e senti que estudar nesse ambiente me daria a perspectiva global necessária para ser uma boa solucionadora de problemas, e que poderia fazer mudanças positivas no mundo.

Qual foi o maior desafio que experimentou ao estudar fora de seu país?

Mudar para uma nova cidade apresenta vários desafios. Fiquei muito esgotada no processo de decidir onde morar e subestimei o quanto Londres é realmente grande! Imperial proporcionou um grande suporte necessário e apreciado aos estudantes internacionais. O Departamento de Estudantes Internacionais ajudou-me a superar questões complicadas, desde abertura de uma conta bancária até encontrar moradia, bem como fornecer orientações sobre vistos. Meu conselho: não espere para procurar moradia; entre em contato com o provável departamento internacional da escola o mais rapidamente possível. 

Por que você escolheu o Imperial College London?

Escolhi o Imperial devido à oportunidade de estudar em uma universidade de classe mundial, especializada em ciências e tecnologia, e eu fiquei particularmente atraída pela gama de oportunidades e experiências disponíveis em Londres. 

Qual foi a experiência mais valiosa sobre estudar no Reino Unido?

Com certeza foi aprender sobre as questões de meio ambiente, clima, energia sob as perspectivas locais e nacionais, bem como dentro dos contextos da União Europeia e internacional. Como um exemplo da ênfase dada pelo Reino Unido na colaboração internacional, tive a oportunidade de participar de um programa de intercâmbio de pesquisa com a Universidade de Tsinghua na China, o qual envolveu a participação em workshops com estudantes chineses que viajam para o Reino Unido, e fui a Pequim para realizar pesquisas no departamento de direito da Tsinghua. Foi gratificante compartilhar ideias sobre problemas semelhantes sob nossas diferentes perspectivas. Durante o meu mestrado, fui voluntária, durante um semestre, no Museu de História Natural de Londres, nos laboratórios de pesquisa. Eu ganhei experiência prática usando equipamentos de tomografia, interagi com os visitantes para compartilhar o trabalho do nosso projeto dentro do museu e experimentei um lado diferente da comunidade científica vibrante de Londres.

O que a inspirou a realizar a pesquisa?

Acredito que hoje os problemas mais prementes, mudança climática, desmatamento e perda de habitat, fome, pobreza, não são limitados por fronteiras estaduais, e para encontrar soluções temos de promover tanto a colaboração internacional, bem como envolvimento de todos os diferentes tipos de conhecimento. Fiquei interessada pelas questões ambientais porque estes problemas, e as possíveis soluções, estão na interseção dos dados científicos e climáticos, bem como nas dimensões humanas e sociais dos padrões comportamentais e de consumo. Como escolhemos equilibrar os benefícios do desenvolvimento com o direito de viver em comunidades ambientalmente saudáveis representa um importante desafio que devemos superar.

No que você está trabalhando no momento?

Minha pesquisa de doutorado analisa o “fracking” (fraturamento) na extração de gás de xisto, uma tecnologia controversa com comprovados impactos sobre o meio ambiente, saúde humana e animal, mudança climática e direitos humanos. Venho desenvolvendo estudos de caso sobre a extração de gás de xisto em vários países, com diferentes enquadramentos políticos e sociais (EUA, França, Argélia, China), para analisar os impactos ambientais e de saúde do fraturamento. O meu objetivo é propor recomendações para melhorar a proteção ambiental e de saúde no Reino Unido, através de uma abordagem orientada para o cidadão. Como parte de meu estudo, estou observando como a “ciência cidadã”, coleta de dados não especialista, pode fortalecer a proteção ambiental e agregar a um corpo crescente de informações científicas importantes. Entrei recentemente também em um projeto empolgante sobre as implicações sociolegais de tecnologias de remoção de gases com efeito de estufa.

O que você considera ser suas maiores conquistas?

Meu departamento e Imperial, bem como os contatos que fiz no Reino Unido durante meu tempo como estudante, me encorajaram a tirar proveito das oportunidades e definir metas elevadas para mim. Tenho orgulho de ter publicado vários trabalhos de pesquisa em revistas acadêmicas, enquanto ainda estudante. Em 2018, recebi o prêmio Outstanding Student Achievement do Imperial. Eu particularmente valorizo este prêmio porque me foi dado por reconhecer minhas realizações não acadêmicas: um de meus esforços foi a cofundação e codireção de uma organização sem fins lucrativos que trabalha para promover a educação científica e matemática no Camboja. Isto é expressivo porque significou que o Imperial considerou importante também minhas contribuições fora do meu trabalho de curso. Tive a honra de ser indicada e participar do fórum Mundial da Paz da Normandia, como delegada norte-americana. Como parte do fórum, tive a oportunidade de discutir como a ciência cidadã poderia ajudar a enfrentar as questões de mudança climática, bem como a minha convicção de que a sustentabilidade ambiental é crucial para alcançar a paz mundial.

Como você acha que pode fazer a diferença?

Minha pesquisa usa uma abordagem multidisciplinar para a resolução de problemas relacionados com as alterações climáticas e energia. Da mesma forma, meu trabalho analisou como o debate sobre a ciência e tecnologia relacionadas à energia é comunicado de forma mais efetiva, bem como a “ciência cidadã” pode criar um grupo de cidadãos empoderados a advogar em favor de suas comunidades. Estou dedicada a reanalisar e reavaliar o meu problema de pesquisa sob vários pontos de vista e através da colaboração com outras pessoas em diferentes campos, mas trabalhando por objetivos comuns de sustentabilidade, fornecimento de energia, proteção dos direitos humanos.

Se tivesse a chance de dar conselhos à sua jovem você, o que seria?

Meu conselho seria procurar ativamente oportunidades para colaborar e compartilhar ideias, o mais rapidamente possível. Nunca é cedo demais para começar a tentar fazer a diferença, e o Imperial e o Reino Unido apresentam muitas oportunidades para apoiar e incentivar os alunos a perseguir as suas ideias.  O fato de que algo não foi feito antes o torna uma excelente oportunidade que vale a pena tentar. Não tenha medo de falhar; as melhores soluções nascem das falhas. O meu segundo conselho é obter conhecimento técnico porque será aplicável a qualquer campo. Meu conselho é não ter medo de experimentar ‘incômodo’ e não ter medo de mudar a direção que você definiu para si mesma.

Quais as competências e habilidades que você considera importantes para que as mulheres desenvolvam?

Acredito que o conhecimento técnico e a capacidade de ler e compreender dados importantes e conceitos científicos, mas também ser capaz de expressá-los de forma coerente é fundamental. Aprender a defender as minhas ideias em público, ter confiança em minhas ideias e defender um ponto de vista que pode não ser popular, é uma habilidade na qual ainda estou trabalhando, mas vital, especialmente para as mulheres em campos onde elas tendem a ser pouco representadas.

Quais conselhos daria para as mulheres que estão pensando em estudar no Reino Unido?

Meu conselho é para obter o maior número possível de perspectivas das pessoas nas universidades que você está considerando frequentar. Fale com todas as pessoas! Alunos, professores e administradores para descobrir o máximo que conseguir sobre o a experiência diária de viver e estudar. Em particular, converse com mulheres que são atualmente estudantes ou tenham sido no passado. Procure mulheres, que sejam membros do corpo docente, para saber como elas veem os aspectos positivos e negativos de seus departamentos.

Em 3 palavras, descreva a sua experiência no Reino Unido: olhos abertos, curiosidade e prática.

Sou inspirada por aprender sobre as experiências de outras pessoas, na universidade e fora dela.

Sou apaixonada pelo engajamento público e comunicação da ciência e questões ambientais e o mecanismo de desenvolvimento para envolver as crianças.