By Susy Villafañe

Tue, 10/08/2019 - 14:35

Educar jovens corajosos, otimistas e empreendedores: o desafio de hoje

Dia após dia, a América Latina enfrenta desafios cada vez mais difíceis: desigualdade, violência, discriminação e falta de oportunidades. Poderíamos pensar que temos um futuro desesperador pela frente, mas há quem esteja trabalhando para criar um amanhã melhor: crianças e jovens que fazem mudanças, professores que motivam e profissionais que inspiram. Estas pessoas construirão um futuro melhor. 

Investindo na juventude

Mais de 163 milhões de jovens vivem na América Latina e no Caribe. Para a Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL), da ONU, os jovens são a promessa local e o potencial que as nações pertencentes à região têm para desenvolver economias mais estáveis e democracias melhores. 

Apesar da pouca idade, a vida desses jovens não é fácil. Mais da metade deles vive ou em regiões pobres, zonas com altos índices de violência e lares vulneráveis, ou são carentes de estudos com o potencial de dar-lhes acesso a bons empregos. Ainda assim, eles continuam otimistas em relação ao futuro, são corajosos, empreendedores e sabem que são capazes de mudar o mundo. 

Pensando nisso, a América Latina viu surgir uma série de programas e projetos que se propõem a ajudar crianças e jovens de 4 a 30 anos a desenvolver seus talentos e suas redes de contatos para traçar seus próprios caminhos rumo a uma vida melhor. Elevar a qualidade da educação recebida por estes jovens é um dos principais objetivos dessas atividades.

Na Jamaica, por exemplo, é realizado o projeto “Boys in Education”, em resposta aos índices altíssimos de desistência e fracasso escolar, principalmente entre alunos do sexo masculino. Esta situação alarmante é consequência da violência e da pobreza do ambiente em que crescem a maior parte desses jovens, o que faz com que eles percam a convicção em suas próprias capacidades e no poder transformador dos estudos, tanto em suas vidas, quanto no futuro da nação.

“Boys in Education” é um espaço em que pais, educadores e empresários podem discutir desafios, oportunidades e maneiras de enfrentar as dificuldades que as crianças têm para aprender e continuar motivadas e comprometidas com sua educação, além de melhorar seus níveis de sucesso acadêmico e desenvolvimento socioeconômico e pessoal. O projeto acontece durante a semana, para que os alunos possam conhecer e dialogar com exemplos positivos de pessoas bem-sucedidas, desenvolvendo sua autoconfiança e descobrindo que podem chegar mais longe.

No Uruguai, 86 mil alunos de 550 escolas primárias localizadas em territórios de difícil acesso estão aprendendo inglês por videoconferência. Toda semana, mais de 3 mil aulas são ministradas remotamente por professores situados na Argentina, no Uruguai, no Reino Unido e nas Filipinas. Sem esse trabalho, muitas dessas crianças jamais teriam a oportunidade de aprender o idioma. 

Após a assinatura de um Memorandum of Understanding (MoU) em Cuba, foi decretado que todos os estudantes universitários cubanos devem ser capazes de se comunicar fluentemente em inglês com nível B1 do Quadro Comum Europeu. Para que isso fosse possível, em 2018, 200 mentores e professores receberam treinamento especializado para aprender e colocar em prática metodologias mais efetivas de ensino de inglês. Assim, eles poderiam replicar os conhecimentos adquiridos nas aulas em suas próprias universidades.

Os campeões do futuro 

Os professores da América Latina e do Caribe carregam uma responsabilidade enorme: formar os cidadãos de que o mundo precisa para se tornar mais igualitário e diverso. É uma tarefa que exige dedicação constante, aprendizado permanente e superação de inúmeros desafios, dia após dia, mas esses docentes não desistem e são verdadeiros campeões.

Para ajudá-los, em 2013 nasceu o projeto “Champion Teachers” que capacita professores de escolas públicas para desempenhar melhor seu trabalho por meio de reflexões sobre a prática profissional, a identificação de desafios e o desenvolvimento de soluções com técnicas de Ação Exploratória Investigativa. Nascido no Chile, o projeto foi tão bem-sucedido que agora está sendo replicado no Peru e na Colômbia.

Criando pontes pelo mundo

Décadas atrás, aprender outro idioma era visto como uma atividade exclusiva das elites e classes mais altas, diz Cristina Banfi, da Universidade de Warwick, na Inglaterra. No entanto, ser bilíngue atualmente é recomendado para todos os cidadãos. Muitos governos da América Latina já reconhecem a importância de incentivar o aprendizado de inglês em todas as classes sociais.

Na Colômbia, a Prefeitura de Medelín quis incentivar o aprendizado de inglês em áreas ligadas diretamente ao turismo. Com isso, surgiu há três anos o projeto “English for Tourism” (Inglês para o Turismo). Por meio desta iniciativa, mais de 800 profissionais como taxistas, funcionários de hotéis, guias de turismo e artesãos aprenderam a falar e entender melhor o inglês e estão mais preparados para apresentar sua cidade ao mundo.

O inglês cria pontes e fomenta intercâmbios, diálogos e negociações entre o local e o global. De fato, quem fala inglês e consegue demonstrar esta capacidade tem a oportunidade de concorrer a vagas em empresas internacionais, ganhar bolsas em universidades mundialmente reconhecidas ou arriscar uma mudança de país, entre tantas outras possibilidades.

Para cumprir as metas da “Colômbia bilíngue”, em 2019, as autoridades de ensino de Bogotá iniciaram um programa de mentoria em diversas escolas públicas da cidade. O programa engloba ações como: treinamento de docentes, certificação de professores e estudantes com o exame Aptis, revisão e aprimoramento de grades curriculares e capacitação dos docentes com técnicas de liderança.

O trabalho já deu frutos. As escolas públicas da capital alcançaram os padrões nacionais e internacionais. Além disso, foram beneficiados mais de 486 docentes, 200 mil alunos e 28 diretores.

Em um mundo de constantes mudanças, os professores devem estar sempre aprendendo e inovando suas práticas de ensino. Por isso, foi criado no México, em 1991, o projeto “Best of Britain and English Language Teaching” (BBELT), que oferece a docentes, especialistas e acadêmicos a oportunidade de se reunir para trocar experiências e refletir sobre os desafios que enfrentam todos os dias. O objetivo é incentivar práticas inovadoras no ensino de inglês.

Este projeto se transformou em uma das mais prestigiosas conferências do México, e quase 8 mil participantes puderam melhorar suas práticas docentes ao colocar em ação os ensinamentos dos especialistas internacionais convidados. Na Colômbia, o projeto BBELT vem se desenvolvendo desde 2017, na Universidad Santo Tomás, de Bogotá, com excelentes resultados.

Em 2016, foi firmado um acordo de reconhecimento mútuo de títulos acadêmicos entre o Reino Unido e a Colômbia. O acordo permite a revalidação de títulos de ensino superior com a finalidade de fortalecer as relações entre ambos os países e promover a mobilidade acadêmica e a cooperação no setor de ensino. Com isso, a Colômbia se tornou o terceiro país latino-americano, atrás do Chile e do México, a ser reconhecido pelo Reino Unido graças à qualidade de seu ensino superior. 

Uma educação melhor significa um futuro melhor para os países e as comunidades da América Latina, um futuro de igualdade, inclusão e diversidade. Não é fácil chegar onde queremos, os desafios são muitos, mas cada uma das experiências relatadas neste artigo mostra que há pessoas apostando no ensino em todos os níveis. E enquanto esses projetos existirem e se multiplicarem, este futuro promissor ficará cada dia mais perto.